Dr. Jorge Huberman

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Criança recebe presente de um adulto: alguns pais, sem se darem conta, impõem aos filhos muito daquilo que lhes faltou na infância

Carências e mimos na educação das crianças

Com as melhores das intenções, alguns pais, sem se darem conta, impõem aos filhos muito daquilo que lhes faltou na infância. Acabam errando, lembrando a todo momento de suas carências e, de forma incorreta, acabam cedendo em muitos mimos na educação das crianças.

Ao tentar suprir as necessidades sentidas por eles, fazem de tudo para que seus filhos não passem exatamente pela mesma situação que lhes ocasionou tanta carência.

Ocorre que, muitas vezes, as carências que tiveram em sua infância não são imprescindíveis para os filhos, nem mesmo são adequadas para eles.

Por exemplo, um pai ou mãe que viveu em situação de humildade, privado de muitas coisas que desejava, muitas vezes vai dizer: “Meu filho não passará pelo que passei! Não lhe faltará nada!

Assim, acabam fazendo de tudo para satisfazer seus filhos e a criança recebe um mimo, diversas vezes, exagerado!

Com essa abundância, excesso, de atenção, carinho e coisas materiais, a criança, ao contrário do objetivo dos pais, acaba não assimilando a situação de forma positiva.

Ela vai criando em sua cabeça a falsa sensação de que tudo lhe pertence e todos devem fazer a sua vontade, como se ela fosse a dona do mundo.

Sem dúvida alguma, é um erro grave que pode ser muito prejudicial na formação das pessoas e da sociedade, de modo geral.

De outro modo, um outro exemplo comum é daquele pai ou mãe que não chegou ao status de uma profissão que ele desejava e cobra exatamente isso dos filhos, ou seja, que eles a alcancem ou se formem naquela profissão anteriormente desejada pelos pais.

Nossos filhos não têm que ser aquilo que a gente queria para nós

Pai dá presente para seu filho: carências e mimos na educação das crianças pode atrapalhar o seu futuro
Pai dá presente para o seu filho em uma loja: carências e mimos na educação das crianças podem atrapalhar o seu futuro

Da mesma forma, isso também pode ser considerado um grave erro. Ou seja, muitas vezes, até de maneira inconsciente, os pais “cobram” ou pressionam a criança desde cedo a serem, no futuro, médico, advogado, engenheiro, só porque eles desejavam isso para si.  

Esse tal sonho acaba fazendo com que os pais não percebam, por exemplo, a vocação natural daquela criança.

Ela pode ter uma tendência extraordinária e o pai não conseguirá perceber, abafando os seus eventuais sucessos, porque deseja ver o filho alcançando aquilo que ele não conseguiu.

Nada disso pode ser chamado de educação. Pelo contrário! Mais do que isso, são totalmente contrários aos seus conceitos básicos.

Ao decidirmos ter filhos, assumimos uma grande responsabilidade com aquele ser e a sociedade, de forma geral.

A pessoa afirma “eu tenho filhos”, “esse é meu filho”, fica implícita nisso uma insinuação que muitas vezes não percebemos ser negativa. Mas é!

Nossos filhos não são nossos como mais um bem que adquirimos. O uso desta expressão é incorreta!

Temos a responsabilidade de cuidar deles e integrá-los a sociedade para que sejam pessoas produtivas, solidárias, felizes, mentalmente e fisicamente saudáveis.

É muito importante que os pais saibam que existe um crescimento natural na criança e deixem que essa natureza seja aflorada. 

As crianças precisam de cuidados dos pais, de direcionamento e, principalmente, de exemplos.

Não devemos obstruir a criança, limitando suas iniciativas. Isso não significa descuido e indisciplina.

Nunca podemos esquecer o seguinte conceito: introduzir “vida” a educação. A “construção” do ser humano significa acostumá-lo a um comportamento sólido.

Carências e mimos na educação das crianças: nossos filhos têm que se sentir protegidos

As crianças devem se sentir protegidas, incentivadas, amadas pelos pais, e ao mesmo tempo, que seja desenvolvido nelas um forte senso de responsabilidade com ela mesma e também com os outros. 

Como pais, temos o principal dever de zelar pelo bem estar físico e mental de nossos filhos.

Ao sufocarmos os filhos com excessos e imposições, eles não conseguirão ser bem sucedidos, de nenhuma forma. Nem naquilo que sonhamos, nem naquilo que seria natural para eles.

“A estratégia de substituir a ausência dos pais e o ‘medo’ que os adultos têm do mundo os levam a se comportarem de uma forma ‘errônea’, conduzindo seus filhos a um mundo onde ‘tudo pode’”, afirma o pediatra Jorge Huberman.

“Eles criam pequenas bolhas para os filhos morarem e oferecem a eles um pequeno mundo que pode lhes ser frustrante quando se tornarem jovens e adultos, pois verão que as coisas não são só como eles desejam e que nem tudo acontece conforme a vontade deles”, finaliza o especialista.

O pediatra Jorge Huberman ao lado da bebê Barbara em foto de 2001: criam pequenas bolhas para os filhos morarem e oferecem a eles um pequeno mundo que pode lhes ser frustrante quando se tornarem jovens e adultos
O pediatra Jorge Huberman, ao lado da paciente Barbara: pais criam pequenas bolhas para os filhos morarem e oferecem a eles um pequeno mundo que pode lhes ser frustrante quando se tornarem jovens e adultos

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