Dr. Jorge Huberman

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Criança com câncer usa lenço na cabeça: sem dúvida, o câncer infanto-juvenil é um assunto muito difícil de ser tratado

O câncer infanto-juvenil: assunto delicado

Conversar a respeito do câncer infanto-juvenil com as crianças e os adolescentes certamente não é nada fácil.

Pelo contrário, diria que é um assunto bastante delicado e espinhoso.

Contudo, mesmo em se tratando de um momento complexo e difícil na vida das pessoas envolvidas no problema, atualmente contamos com o excepcional avanço da tecnologia médica, das pesquisas, e dos tratamentos que permitem boas chances de cura quando existe um diagnóstico precoce, ou seja, novos casos, desta terrível doença.  

É isso que a campanha do Setembro Dourado, procura alertar, principalmente os profissionais da saúde, os pais e a sociedade, de modo geral, a respeito da importância de ficamos atentos aos vestígios e sintomas sugestivos do câncer infanto-juvenil, contribuindo com a sua detecção rápida e também o seu tratamento precoce.

Sem dúvida alguma, vale sempre aquela máxima: para que ele seja curado, é preciso, em primeiro lugar, que ele seja tratado.

Não só isso: que a criança seja diagnosticada de modo precoce e também tratada em centros especializados em atenção à criança.

De acordo com estimativa do Inca, Instituto Nacional do Câncer, em 2018, o Brasil teve mais de 12 mil novos casos de câncer, na faixa etária de zero a 19 anos de idade.

Assim como acontece em países desenvolvidos, aqui no Brasil, o câncer é responsável por uma das principais causas de óbito (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos de idade.  

O câncer infantil possui determinadas características já que a doença não está associada a fatores de risco, como está nos casos em adultos.

Trata-se de uma doença que ocorre no corpo da criança e que ainda não há uma causa, ou um estudo das causas das doenças definida ou alguma coisa do ambiente que os médicos possam prevenir.

Câncer infanto-juvenil tem altas chances de cura

Criança com câncer sorri em hospital: câncer infantil tem altas chances de cura
Criança com câncer sorri em hospital: câncer infantil tem altas chances de cura

Mas há uma grande notícia: o câncer de uma criança possui altas chances de cura já que ela costuma responder muito bem à quimioterapia.

O câncer infanto-juvenil engloba, na verdade, diversos tipos de câncer.

Entre 2009 e 2013, o câncer já representou mais de 10% das mortes na faixa etária entre 1 e 14 anos; e mais de 8%, na idade entre 1 a 19 anos.

As leucemias são responsáveis pelo maior percentual de incidência (26%) nesta faixa de idade, seguida dos linfomas (14%) e dos tumores do sistema nervoso central (SNC) (13%).  

As diferenças entre o câncer das crianças e dos adultos estão concentradas, essencialmente, nos aspectos morfológicos (tipo do tumor), comportamento clínico (evolução) e também das localizações primárias.

Nas crianças e nos adolescentes, a doença, de modo geral, atinge as células do sistema sanguíneo, do sistema nervoso e os tecidos de sustentação.

Nos adultos, as células epiteliais, que recobrem os órgãos, são as mais afetadas.

Enquanto o câncer no adulto apresenta mutações, geralmente por conta de fatores ambientais, ainda não há estudos conclusivos a respeito da influência desse aspecto.  

Diagnóstico Precoce do câncer infanto-juvenil

Em seu início, os sinais e sintomas do câncer infanto-juvenil podem ser parecidos com os sintomas de doenças comuns da infância.

Assim sendo, é essencial sempre avaliar.

A orientação do Inca é clara: a criança não inventa sintoma, ou seja, não sabe inventar isso. E esta condição é sempre passada para os pais.

Deste modo, todas as crianças têm que ter um acompanhamento ao pediatra de forma regular e toda a queixa que a criança tem deve ser valorizada. Isso serve também aos profissionais de saúde.  

Estes, por sinal, além de valorizarem as queixas, devem reconhecer os sinais e sintomas e avaliar quando uma criança pode ter uma condição mais séria e precisar de exames mais complexos e detalhados para uma investigação diagnóstica.

Vale lembrar que todo sintoma que não é bem explicado ou é insistente deve levantar a suspeita que pode ser uma situação mais séria.

Quando a criança vai a um hospital ou pronto socorro mais de três vezes com o mesmo sintoma, isso já pode servir de alerta.  

“Nunca podemos esquecer que alguns sinais devem sempre serem investigados com exames laboratoriais e, às vezes, de imagem também como esses: dor progressiva, febre sem causa aparente ou doença que não melhora, dor de cabeça frequente, e acompanhada de vômito, alteração repentina de visão, nódulo ou inchaço incomum”, enumera o pediatra Jorge Huberman.

O Dr Jorge Huberman em seu consultório em Moema: alguns sinais devem sempre serem investigados com exames laboratoriais e de imagem
O Dr Jorge Huberman em seu consultório em Moema: alguns sinais devem sempre serem investigados com exames laboratoriais e de imagem

Tratamento no SUS 

No SUS, Sistema Único de Saúde, as crianças têm acesso ao tratamento oncológico, independente do tipo de tumor.

Cada caso necessita de uma forma de abordagem diferente. Por isso, é necessário um tratamento único, de forma individualizada.

A assistência especializada engloba sete modalidades de tratamento: diagnóstico, cirurgia oncológica, radioterapia, quimioterapia (oncologia clínica, hematologia), medidas de suporte, reabilitação e cuidados de forma paliativa.