Dr. Jorge Huberman

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Criança gritando: saiba os motivos de tantas brigas

Brigas entre as crianças: como agir?

Brigas entre as crianças. Por qual motivo elas discutem tanto? É normal brigarem muito? Os motivos das discórdias mudam após o seu crescimento?

Sejam colegas de classe ou mesmo irmãos, com pouca diferença de idade, entender os conflitos nas mais diferentes faixas etárias é essencial para realizar intervenções que ajudem a tentar terminar com as brigas entre as crianças. Nós, adultos, devemos intervir para que isso tenha fim.

Segundo estudos realizados recentemente pela Unicamp, Universidade de Campinas, é normal que ocorram até oito discussões por hora entre crianças agressivas. O levantamento aponta que a principal causa de discórdia entre elas, nessa etapa, nada mais é do que a disputa por objetos e espaços.

Nesses casos, mesmo que tenham outros brinquedos ao seu dispor, as crianças podendo, acabam discutindo para ter a posse do mesmo objeto.

Do mesmo modo, às vezes é normal que também disputem entre si para ter a atenção da professora, dos pais, dos avós e em diversas situações do dia a dia.

Manter a harmonia em casa pode ser um desafio!

Agora, manter a harmonia em casa pode ser um desafio e tanto para quem tem vários filhos. Se a idade das crianças for próxima, aí a situação fica ainda mais difícil. Por mais que seja uma rotina em casas com mais de um filho, suportar irmãos que brigam o tempo todo pode ser estressante para a família inteira. E para eles também, claro! Nessas horas, todo cuidado é pouco.

A boa notícia é que esse tipo de rivalidade é comum e passa logo. O ideal é que sentimentos como amizade, companheirismo e empatia sejam mostrados em casa e passados aos filhos desde cedo pelos pais. São valores essenciais para que as crianças compreendam por que o respeito começa com quem está do nosso lado.

Se os seus filhos têm uma vida de certo modo agitada, estão se adaptando a uma nova rotina ou estejam vivendo qualquer outra situação fora do comum, do normal, é muito provável que o humor seja o primeiro a ser afetado. Aí, com certeza, a briga entre irmãos vai ocorrer. A dica é observar a rotina deles e analisar o seu comportamento.

Pode ser a hora mais do que adequada para uma pausa para passear na praia, ou até mesmo organizar um delicioso piquenique no parque. O importante é aliviar o stress, a mente deles e, por que não?, a sua mente também.

A criança, quando é pequena, ainda está na fase de se socializar. Isso faz parte da sua educação infantil. Ela não desenvolveu o conceito de propriedade e nem o significado do que é emprestar um objeto ao amiguinho ou ao seu irmão.

Pelo contrário, ela acha que tudo é dela, é de sua posse, tem muitas dificuldades em cooperar com seus familiares ou amigos, de dividir seus brinquedos ou objetos com seus colegas de classe ou, então, com seus irmãos. Mesmo que eles estejam o tempo todo juntos.

Nessa fase da vida, devemos tentar intervir e isso só vai auxiliar a lidar melhor com o que lhe pertence e também é da posse do outro. Seja com a intervenção do professor tentando resolver ou mesmo dos pais, tentando agir, as crianças aprendem a falar o que desejam e o que sentem.

O seu pediatra de confiança também pode intervir!

Isso serve tanto para o seu amiguinho da escola, como também para o seu irmãozinho. As crianças ainda estão aprendendo como devem agir. Isso é normal!

Se as crianças brigarem, do nada, não entre em desespero!

Se uma briga, por exemplo, começa de repente, não se desespere! Evitar esta situação é bem mais tranquilo do que possamos imaginar. Em primeiro lugar, descubra o porquê do problema para, só então, decidir como agir, o que fazer.  

Como isso é difícil de ensinar neste começo da vida, os pais devem dizer no ouvido dela para que ela entenda melhor. Essas orientações devem partir tanto de quem o educa, na escola, como também dos seus familiares.

Quando a criança chega aos 8 anos de idade, um dos motivos mais frequentes das brigas é a provocação. A mesma é caracterizada pela ambivalência, pois ao mesmo tempo, de forma irônica, nota-se humor e antipatia. Às vezes, é normal até que as crianças fiquem agressivas.

O incitamento, ao mesmo tempo que diverte o seu “autor” e os espectadores, acaba enervando o “alvo”. Além disso, quando a provocação é frequente, ainda é necessário que haja uma intervenção tanto individual como também coletiva.

No primeiro caso, o educador deve analisar o papel do “provocador”: o mesmo, ao se divertir, descontrola a turma. Já nas conversas em grupo, pode-se falar a respeito da provocação, os papéis, sentimentos, apresentando-se vídeos ou situações hipotéticas.

A segunda causa mais constante de brigas nessa faixa etária é a “reação ao comportamento perturbador”. Isso acontece quando os atos de um colega causam uma reação hostil. Até cerca de 9 anos, as crianças não conseguem avaliar direito uma situação do ponto de vista do seu coleguinha.

Quando for assim, a melhor maneira de lidar com o problema é trabalhar o controle dos impulsos e a necessidade de levar em conta a intenção do colega, assim como a bondade nas relações.

Intervenções e situações didáticas sendo bem planejadas, auxiliam os alunos, os irmãos, a lidar com as desavenças, tomando consciência dos sentimentos envolvidos e pensando em novas formas de resolvê-las. Desse modo, os pais plantam as bases para uma convivência positiva e pacífica.