Dr. Jorge Huberman

Como lidar com a birra das crianças

A birra das crianças é a maneira que os pequenos encontram de expressar sentimentos como raiva, angústia e frustração enquanto suas habilidades emocionais e de comunicação ainda estão em desenvolvimento.

Lidar com episódios de birra é um grande desafio para os pais, principalmente quando situações que envolvem gritar, chorar, espernear e se jogar no chão acontecem em locais públicos.

Embora a primeira reação dos pais possa ser atender aos desejos da criança para acabar logo com a birra, esse é um comportamento que deve ser evitado ao máximo, garantindo que os pequenos entendam que nem sempre as coisas acontecerão conforme eles esperam.

A birra tende a ser um comportamento normal das crianças entre os 2 e 4 anos de idade, e pode estar associada a mudanças na rotina ou a sentimentos como fome, sono e cansaço.

Também é comum diante de situações estressantes para a criança, como o nascimento de um irmãozinho ou a separação dos pais.

Em alguns casos, os episódios de birra deixam de ser algo natural no processo de desenvolvimento e podem significar a existência de algum transtorno, como o chamado TOD (Transtorno Opositivo Desafiador), o qual exige acompanhamento médico multidisciplinar para controlar a agressividade da criança.

O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre conversar com as crianças sobre divórcio
O pediatra e neonatologista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena, fala sobre como lidar com a birra das crianças (Foto: Kesher Conteúdo/Divulgação)

O pediatra e neonatologista Jorge Huberman indica 7 formas de lidar com a birra das crianças:

  1. Mantenha a calma, você é o adulto da situação!
  2. Valide os sentimentos da criança
  3. Ofereça um ambiente seguro
  4. Não bata, jamais!
  5. Escute a criança e faça seu filho se sentir ouvido
  6. Ensine habilidades de resolução de problemas
  7. Ofereça conforto e carinho

Por que as crianças fazem birra?

À medida que vão crescendo e começam a entender as próprias vontades e a construir sua independência, as crianças fazem birra para expressar o que sentem.

Por mais que seja difícil compreender isso em um primeiro momento e exista a sensação de que apenas crianças mimadas ou malcriadas fazem birra, a verdade é que esse é um comportamento que faz parte do processo de desenvolvimento infantil.

Enquanto suas habilidades verbais ainda estão em formação, fazer birra é a forma que as crianças encontram para expressar suas frustrações, “lutar” por algo que desejam e até mesmo desafiar a autoridade dos pais.

Criança com as mãos na cabeça e expressão de raiva fazendo birra no supermercado
Criança gritando com raiva no meio do supermercado: a birra pode acontecer quando a criança ouve um “não”

As birras podem acontecer diante de um “não” e também costumam estar associadas a cansaço, fome, tédio, estresse, medo e outros sentimentos.

Eventos traumáticos para uma criança, como a chegada de um irmão, igualmente podem desencadear episódios de birra.

Entender quais são os gatilhos que estimulam a birra nas crianças pode ajudar os pais a lidar melhor com a situação.

Em todo caso, é fundamental que a família tenha paciência e acolhimento, pois a birra no fim das contas também é uma ferramenta de aprendizado, que quando bem administrada poderá servir para que a criança lide melhor com suas emoções na vida adulta.

Quando se preocupar com a birra

Por volta dos 4 anos, as crianças começam a entender melhor o significado de um “não” e passam a lidar melhor com suas frustrações, por isso, a birra tende a diminuir muito a partir dessa idade.

Mas quando a birra das crianças persiste e de forma bastante intensa e agressiva, esse pode ser um sinal de alerta para a família, indicando a existência de algum transtorno, como o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD).

Essa é uma condição que afeta o emocional das crianças e faz com que elas sejam extremamente desafiadoras, agressivas e irritadas quando as coisas não acontecem da maneira como elas esperam ou são repreendidas por alguma atitude.

Tanto na escola quanto em casa, crianças com TOD desafiam constantemente figuras de autoridade como pais e professores, se recusando a obedecer a regras e até mesmo agindo de maneira vingativa.

O diagnóstico e o tratamento do transtorno devem ser feitos de maneira multidisciplinar, com o auxílio do pediatra, psicólogos e psiquiatras.

4 formas de ajudar seu filho a lidar com a raiva e a frustração

Pai olha nos olhos de seu filho pequeno e conversa com ele
Pai conversa com o filho pequeno olhando em seus olhos: ter tranquilidade e falar na altura da criança são atitudes importantes diante de um episódio de birra

Para lidar com a birra das crianças, a palavra de ordem para os pais é paciência. Embora cada criança seja única e algo que funciona para uma família não necessariamente irá funcionar para outra, existem algumas “regras de ouro” que costumam ser muito úteis ao longo desse processo.

Não reaja com violência

Lidar com a birra, principalmente em locais públicos, tende a gerar vergonha, frustração e até mesmo raiva, mas agir de forma violenta costuma apenas piorar a situação.

O ideal é que os pais digam à criança que o que ela deseja naquele momento não é possível, de preferência com tranquilidade. Para isso os pais devem se abaixar na altura da criança e conversar com ela olhando em seus olhos.

Cumpra com os combinados

A birra das crianças também é uma forma de testar os limites e questionar a autoridade dos pais. De forma clara e adaptada ao entendimento da criança, a família deve estabelecer acordos e, principalmente, cumpri-los. Uma vez que se os pais cederem ao menor sinal de birra, isso pode ser entendido uma quebra de confiança.

Antes de ir ao mercado, por exemplo, os pais podem dizer à criança que só comprarão aquilo que está na lista e que ela terá direito a escolher um produto para levar para casa. No local, talvez a criança deseje outro item, e aí será o momento de explicar que ela terá que decidir entre um e outro.

Ajude a nomear e validar os sentimentos

Como as crianças ainda não conseguem dar nome aos seus sentimentos, a família deve ajudá-la nesse processo, dizendo, por exemplo, “eu entendo que você está com raiva porque não ganhou o brinquedo que queria”.

Além disso, por mais que a família não concorde com a forma como a criança se expressou, é importante validar as emoções e explicar por que determinada atitude é errada, como “eu sei que você ficou triste, mas não é legal bater na sua mãe, isso machuca”.

Explique eventuais mudanças de rotina

Se todo dia a criança toma banho no mesmo horário, mas determinada ocasião, como um aniversário, exige que ela se arrume mais cedo, esse pode ser um gatilho para que a criança fique estressada e faça birra.

Sempre que possível, e principalmente quando os pais souberem o que costuma deixar a criança irritada (fome, sono, cansaço etc), é fundamental comunicar mudanças na rotina para que ela não seja “pega de surpresa” e consiga lidar melhor com a situação.

Vale ter em mente que dicas como essas não surtem efeitos da noite para o dia, ou seja, elas precisarão ser repetidas algumas vezes até que as crianças consigam internalizar os ensinamentos que os pais tentam transmitir.

Para marcar uma consulta com o Dr Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.

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