Dr. Jorge Huberman

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Menina faz cara feia; birra da criança: saiba como lidar

Birra da criança: saiba como lidar

Os acessos de raiva podem fazer com que os pais questionem sua técnica de criação, mas na verdade são uma parte normal da infância. A birra é a explosão emocional dos seus filhos. Caracterizada inevitavelmente por teimosia, choro, gritos, violência e muito desafio. Para os pais, é uma fase complicada, mas é o momento de ter pulso firme e paciência. Por isso o tema; birra da criança: saiba como lidar.

O que causa a birra?

O fato é: as crianças têm acessos de raiva. Seja com frequência ou raramente, as birras são comuns e uma parte normal do desenvolvimento infantil.

É assim que os bebês mostram que estão chateados ou frustrados.

Durante a primeira infância, o cérebro de uma criança ainda não se desenvolveu por completo. E uma dessas partes que evoluem com o tempo é responsável pela autonomia de um indivíduo.

Tal como o pensamento analítico, a reflexão, a imaginação, a solução de problemas e o planejamento.

Sem o auxílio dessa parte do cérebro para racionalizar e se acalmar, o resultado é que a criança fica superexcitada e com altos níveis de substâncias químicas associadas ao estresse percorrendo seu corpo e cérebro.

Para se ter uma ideia, dentro da faixa etária habitual – até os quatro anos, não existe uma quantidade de crises de birra diária. Isto pode variar dependendo de diversos fatores. 

Contudo, de acordo com pesquisas, entre os 2 e os 3 anos, aproximadamente 20% das crianças apresentam birras pelo menos 1 vez por dia.

Com o passar do tempo e desenvolvimento da criança, esse número diminui. 

Acontece que, até lá, as birras podem acontecer quando os pequenos estão cansados, com fome ou desconfortáveis. Sim, você já deve ter visto um momento desses no supermercado ou mesmo no shopping. 

Mudança de casa, de escola, a morte de um parente querido ou de animal de estimação, a separação dos pais e até mesmo a falta de diálogo em casa podem transformar a birra em gatilhos de socorro. 

E se liberar os sentimentos de forma dramática servir para conseguir o que ele quer (ou tudo o que ele estava tentando evitar), é um comportamento que a criança pode vir a confiar e repetir.

O que fazer: birra da criança saiba como lidar!

O neonatologista e pediatra Jorge Huberman durante um parto: O adulto não pode simplesmente reagir à birra. É necessário agir conscientemente
O neonatologista e pediatra Jorge Huberman durante um parto: O adulto não pode simplesmente reagir à birra. É necessário agir conscientemente

A questão é: de que forma lidar com essa situação? Fazer o estilo de pai que aceita tudo, o que só dá bronca, ou então encontrar um meio termo?

“A birra é um sintoma de que a criança não está conseguindo lidar com uma frustração e de que ainda não tem habilidades para se comunicar de outra forma”, diz o neonatologista Jorge Huberman.

“O adulto não pode simplesmente reagir à birra. É necessário agir conscientemente, de modo a não reforçar este comportamento na criança”, afirma o pediatra Jorge.

Nessa fase, não existem dúvidas: se o bebê chorar, os pais devem cuidar e acolher. Eles aprendem rápido, então o choro é uma forma de solicitar a presença dos pais.

Contudo, quando as crianças começam a entender o poder da negociação, a birra ganha outro valor.

Os acessos de raiva se transformam em uma luta constante pelo poder. Eles estão profundamente cientes de suas necessidades e desejos – e querem afirmá-los ainda mais. 

Eles testam todos os seus limites após ouvir um NÃO. E se você não obedecer, ganha a birra como resposta. Então, a forma que a família lida com a situação faz toda a diferença. 

Infelizmente, não existe uma fórmula infalível. Tudo depende da criança, da idade e da situação. Dessa forma, birras não são sinônimos de má educação.

No entanto, neste momento, o pulso firme dos pais é essencial – o que não significa ou indica, uma queda de braço. 

Apenas ignorar a situação e não conversar com seu filho, também não ajuda e pode indicar que você deseja disputar a autoridade com ele. Neste caso, é preciso avaliar a situação e estabelecer um diálogo. 

Como evitar a birra de crianças?

Em primeiro lugar, converse com seu filho e explique que esse tipo de atitude não é legal. Só não se esqueça que também é necessário propor alternativas para que a criança consiga desenvolver seu pensamento e se expressar de outra maneira. 

Você é o exemplo que seu filho vai seguir. Sempre se lembre disso! O melhor caminho é propor alternativas. Se a criança não conseguir montar um brinquedo, por exemplo, ajude-o a montar ou explique como fazer. 

Valorize a importância de dizer não. Se a birra da criança começou quando você disse que eles não podiam comer um biscoito, não dê a bolacha a eles depois que as lágrimas pararem.

Fique calmo (ou finja!). Reserve um momento para si mesmo, se necessário. Se você ficar com raiva, tornará a situação mais difícil para você e seu filho. Ao falar, mantenha a voz calma e nivelada e aja calmamente.

Em hipótese alguma agrida seu filho!

Sintonize-se com os sentimentos do pequeno. Se estiver ciente dos pensamentos, você poderá sentir quando grandes sentimentos estão a caminho.

E neste caso, terá tempo para pensar em soluções, como falar sobre o que está acontecendo e ajudar seu filho a lidar com sentimentos difíceis e distrair-se. 

Para prevenir a birra, todos os adultos que lidam com a criança em questão precisam agir juntos: se alguns cederem e outros não, a criança não vai entender que precisa parar de fazer “show”. 

Todavia, depois de algumas tentativas e erros, seu filho aprenderá que fazer birra não vai levá-lo a conseguir o que ele quer.

A birra do seu filho não te torna menos responsável
Criança faz birra em mercado: A birra do seu filho não te torna menos responsável (Foto: Freepik)
Criança faz birra em mercado: a birra do seu filho não te torna menos responsável.

Após a birra, elogie seu filho por recuperar o controle. Use algo como: “Gosto de como você se acalmou” ou simplesmente abrace-os – porque afinal, um abraço vale mais do que mil palavras. 

Sem contar que receber a garantia de que se é amado em um momento de crise é tão importante para os adultos, quanto para crianças em fase de desenvolvimento.

Não se julgue pai com base em quantas birras seu filho tem. Lembre-se de que todas as crianças têm acessos de raiva. Em vez disso, concentre-se em como você responde a essas reações. 

E lembre-se de que você também é ser humano e parte da criação dos filhos é aprender conforme você avança.  Então, as birras não são motivo de preocupação e param por conta própria. 

Entretanto, se a birra não for trabalhada, o adolescente ou adulto vai continuar com o mesmo comportamento. Tudo bem, ele não vai mais se jogar no chão, mas vai ser uma pessoa intolerante. 

Por isso, mesmo que seja difícil, é necessário ser firme. Faz parte de exercer o papel de mãe ou pai. E se ainda restarem dúvidas sobre como lidar com esse comportamento, consulte seu pediatra de confiança.  

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista, Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.