Dr. Jorge Huberman

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Ver pessoas, tocar nas coisas, respirar um ar diferente e conhecer novos ambientes é importante para o desenvolvimento social e cognitivo

Bebês nascidos na pandemia podem ter fobia social?

Entre os diversos temores que a covid-19 acabou trazendo para milhões de pessoas ao redor do mundo, um dos que mais preocupa os pais é: bebês nascidos na pandemia podem ter fobia social?

Recentemente, Tâmara Contro, influenciadora, mãe da pequena Marieva e esposa do rapper Projota, compartilhou nas redes sociais, um desabafo: “Marieva nasceu na semana que começou a quarentena no Brasil, e a gente seguiu com a quarentena durante todo esse tempo praticamente. Então, ela desenvolveu uma fobia social.”

A jovem falou sobre os desafios que está enfrentando, assim como várias mães de bebês que nasceram na pandemia e afirmou que a filha demonstra medo na presença de pessoas desconhecidas, por não ter convivido com ninguém “estranho” durante o período de isolamento social, além dos pais e poucos familiares.

Apesar de curioso, esse problema tem sido cada vez mais notado entre famílias e especialistas. No início da pandemia, pesquisadores do Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI) alertavam que o isolamento social poderia interferir no desenvolvimento infantil, especialmente entre crianças de até seis anos de idade.

Justamente por isso, vamos tentar entender as razões, dificuldades e soluções para esse comportamento de bebês nascidos na pandemia.

Em primeiro lugar, vale lembrar que, conhecer gente nova para os bebês que nasceram na pandemia, é um grande desafio.

Principalmente se levarmos em consideração que neste período, os pequenos estão descobrindo o mundo. Então, cada detalhe importa, e qualquer mudança, pode ser brusca demais.

Durante os dois primeiros anos de vida, acontece o desenvolvimento sensório-motor, que é parte da evolução cognitiva, das capacidades motoras, emocionais e intelectuais.

Nesse período, especialmente, o bebê percebe o mundo pelos órgãos sensoriais, como os olhos ou tato. Então, o que existe para ele é o que pode ser visto ou tocado.

Como os bebês que nasceram na pandemia lidam com o contato com outras pessoas?

A interação é muito importante para as crianças desenvolverem os seus sistemas. Ver pessoas, tocar nas coisas, respirar um ar diferente e conhecer novos ambientes é imprescindível para o desenvolvimento social e cognitivo delas.

De acordo com o pediatra Jorge Huberman, a explicação é que os primeiros dois anos de vida de uma criança são parte de uma das fases de maior aprendizado, e que com os estímulos corretos dá para garantir uma saúde mental plena, sem ansiedade, inseguranças ou depressões.

Os especialistas também ressaltam que, mesmo nas atuais condições, é possível proporcionar um crescimento saudável para os bebês que nasceram na pandemia. E essa é uma tarefa de ouro para as mães e os pais.

Uma parcela de crianças apresenta alguns sinais devido a esse tempo em isolamento social, como um medo intenso de encontrar pessoas e conhecer novos ambientes
Uma parcela de crianças apresenta alguns sinais devido a esse tempo em isolamento social, como um medo intenso de encontrar pessoas e conhecer novos ambientes. (Foto: Freepik)

Não esqueça: apesar de pequeno, o cérebro de seu filho funciona a todo vapor nessa idade, transmitindo cerca de 1 milhão de sinais por segundo. Essa ebulição cerebral torna cada um dos estímulos valiosíssimos, mesmo os mais simples.

Por mais que os passeios estejam limitados e que as interações com outras pessoas possam parecer assustadoras à princípio, essas medidas são necessárias e demandam, sim, todo o cuidado do mundo!

Se as mães e pais estiverem atentos ao desenvolvimento dos seus bebês que nasceram na pandemia, irão perceber alguns sintomas, como foi o que ocorreu com a Marieva, filha do Projota.

Segundo o pediatra, é importante que você entre na dança. Sente para brincar, diminua o tempo que os pequenos ficam em frente das telas e provoque interações reais, comunicando-se constantemente, brinque com eles!

Aqueles que nasceram na pandemia saberão viver em um mundo sem máscara ou podem ter fobia social?

O que os médicos falam sobre o uso de máscara é que elas podem ser um lembrete ou símbolo de todo contexto pandêmico. Isso para crianças que já entendem e associam a máscara ao medo do vírus e da COVID-19, por exemplo.

É natural que existam preocupações sobre as máscaras: esse acessório atrapalha no desenvolvimento de experiências naturais de identificação das expressões do rosto, como saber se alguém está triste, com medo ou feliz.

Por isso, Ashley Ruba, investigadora pós-doutorada no Laboratório de Emoções Infantis da Universidade de Wisconsin-Madison, realizou um estudo antes da pandemia para saber se essa experiência seria afetada para os bebês nascidos na pandemia.

Um estudo, publicado na revista “Cognition”, revelou que crianças dos 3 aos 8 anos de idade não mostraram qualquer dificuldade na classificação das expressões de pessoas usando máscaras.

Isso porque o desenvolvimento dessas habilidades, que contribuem com o sentimento de empatia quando as crianças crescem, é muito rápido e simples.

Uma parte das crianças apresenta alguns sinais por conta deste grande intervalo de tempo em isolamento social, como um medo intenso de encontrar pessoas e conhecer novos ambientes.

Os detalhes podem estar nas pequenas coisas, como no hábito de não cumprimentar pessoas, esconder o rosto, não gostar de toques, mas isso caracteriza a “agorafobia”, transtorno de ansiedade causado pelo medo de estar em um lugar novo ou com pessoas desconhecidas.

Esse medo pode se originar da associação desses itens ao vírus; pode ter origem no receioexcessivo que foi observado nos pais de sair de casa ou pode ser parte de ansiedade social.

É comum que crianças com Agorafobia apresentem sinais de pânico ou insegurança. Esse termo tem origem grega, e foi escolhido para nomear o transtorno social pois “Ágora” era o nome do espaço público onde as pessoas se reuniam.

E agora, como será o futuro dos bebês que nasceram na pandemia?

Quando identificar e entender o que está havendo, é importante procurar ajuda e ter uma boa conversa com o pediatra.
Quando identificar e entender o que está havendo, é importante procurar ajuda e ter uma boa conversa com o pediatra (Foto: Freepik)

Como esse é um cenário bem específico, qualquer previsão certeira é pouco provável, mas os pediatras mostram que essa situação da fobia social em bebês nascidos durante a pandemia não é um problema generalizado.

Isso significa que nem todas as crianças têm medo de sair de casa ou de interagir com outras pessoas, mas é preciso ficar atento aos sintomas.

Tenha atenção, um olhar cuidadoso e a preocupação com o comportamento dos pequenos, para identificar se o que está acontecendo é por medo, pânico ou insegurança.

Quando identificar e entender o que está acontecendo, é importante procurar ajuda, ter uma boa conversa com o pediatra e saber quais passos dar para solucionar essa questão.

Os médicos aconselham convites para passeios simples, no parque mais próximo, no playground do condomínio ou em casas de parentes.

Tratando do uso de máscaras, a dica é que torne isso comum, utilizando dentro de casa, experimentando versões mais alegres e informais, relacionando as máscaras com brincadeiras ou personagens que as crianças podem gostar, como super-heróis, por exemplo.

Seja sempre gentil e compreenda os limites dos seus bebês que nasceram na pandemia, e saiba que, com a sua ajuda, cedo ou tarde, elas vão se adaptar. Crianças são extremamente flexíveis e abertas a novos desafios, e qualquer atraso será plenamente recuperado.

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista, Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.