Dr. Jorge Huberman

Autismo na infância: como identificar os sinais do transtorno

O autismo na infância pode aparecer logo nos primeiros meses de vida, embora seja identificado geralmente entre 1 e 3 anos de idade.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é nomeado dessa maneira porque abrange diferentes manifestações dos sintomas e alguns níveis de severidade, o que significa que cada criança será afetada de uma forma distinta pelo transtorno.

Também por isso, muitas vezes o autismo pode ser confundido com outras condições de saúde, como o TDAH, ou mesmo com padrões de comportamento como timidez, introversão ou excentricidade.

De modo geral, o autismo é um transtorno de neurodesenvolvimento que afeta a comunicação e a socialização, além de se manifestar através de comportamentos repetitivos. O Brasil registra 150 mil casos por ano.

Embora as causas do autismo não sejam totalmente conhecidas, há indícios de que o transtorno possa ser causado tanto por questões genéticas quanto por fatores ambientais.

Nesse caso, há chances de o autismo ser hereditário e também de ter influências durante a gestação, como infecções e exposição a poluição.

Além disso, o autismo é 4 vezes mais frequente em meninos do que em meninas.

Inicialmente, o transtorno é identificado pela observação. Em casa, os pais podem ficar atentos a atrasos no desenvolvimento infantil em relação aos marcos que são esperados para cada fase da infância, como falar, sorrir, engatinhar, atender pelo nome etc.

Dependendo do nível de autismo, pessoas que são diagnosticadas com o transtorno podem levar uma vida normal e independente, principalmente se o diagnóstico acontecer de forma precoce, garantindo que a criança receba os estímulos adequados para o melhor desenvolvimento.

Dr Jorge Huberman fala sobre autismo
Dr Jorge Huberman em seu consultório segurando um bichinho de pelúcia: o pediatra lembra que o autismo não tem cura, mas que o tratamento pode ajudar

Como lembra o Dr Jorge Huberman, neonatologista e pediatra, o autismo é uma condição crônica e que não tem cura, mas o tratamento pode ajudar, especialmente se começar assim que o diagnóstico for confirmado.

Os sintomas do transtorno podem durar a vida toda, serem mais evidentes em determinadas fases ou serem amenizados de acordo com o tratamento realizado.

Além de observar a criança, é importante que os pais busquem a ajuda do pediatra para diagnosticar o transtorno, que é feito com o auxílio de diferentes testes e de uma equipe multidisciplinar, formada por neuropediatra, psicólogo, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional.

O Dr Jorge salienta ainda que o diagnóstico médico do autismo raramente requer exames laboratoriais ou de imagem.

Quais são os tipos de autismo?

O Transtorno do Espectro Autista pode ser dividido em três tipos principais: Síndrome de Asperger, Transtorno Autista e Transtorno Invasivo do Desenvolvimento.

A Síndrome de Asperger representa o grau mais leve de autismo e quem a desenvolve costuma apresentar uma inteligência acima da média, a qual geralmente é aplicada a um assunto específico.

Embora os autistas diagnosticados com Síndrome de Asperger consigam realizar atividades diárias sem maiores dificuldades, os problemas de interação social permanecem.

O Transtorno Invasivo do Desenvolvimento está no “meio termo” entre a Síndrome de Asperger e o Transtorno Autista no que se refere à severidade dos sintomas, com dificuldade de interagir socialmente e atrasos no desenvolvimento da linguagem.

Por fim, o Transtorno Autista é considerado a forma mais grave de autismo, abrangendo atrasos significativos de linguagem, comportamentos incomuns e dificuldades mais severas de socialização. Em alguns casos, a criança também pode apresentar deficiência intelectual.

Além desses 3 tipos de autismo, o TEA também pode ser classificado em diferentes níveis:

  • No autismo leve, ou de nível 1, os sinais clássicos do transtorno estão presentes de forma mais discreta e a criança consegue desempenhar facilmente as atividades diárias e ter mais independência.
  • No autismo médio, ou de nível 2, os sintomas do transtorno são mais evidentes e as crianças tendem a precisar de algum suporte para realizar as tarefas do dia a dia, além de seguirem uma rotina rigorosa e terem dificuldade com mudanças
  • No autismo grave, ou de nível 3, a criança precisa do apoio constante de algum adulto para as atividades de rotina, além de ter fixação extrema em interesses ou objetos específicos

Os principais sinais durante a infância que indicam o autismo

Imagem vista de cima de menino brincando com jogo do alfabeto no chão da sala
Menino organiza letras emborrachadas no chão da sala: enfileirar e categorizar objetos são comportamentos comuns entre crianças com autismo

Embora cada criança possa reagir de maneira totalmente diferente ao autismo na infância, alguns fatores são comuns, o que irá variar será a intensidade dos sintomas e a forma como eles prejudicam a vida diária.

Entre esses fatores estão dificuldade de comunicação, problemas de socialização e padrões restritos e repetitivos de comportamento.

Em relação aos dois primeiros tópicos, alguns sinais que a criança com autismo pode expressar são:

  • Não procurar pelo olhar da mãe durante a amamentação
  • Não atender ao ser chamada pelo nome
  • Não responder às brincadeiras dos pais ou de outros familiares
  • Ter atrasos de linguagem ou pouca vontade para falar
  • Ficar repetindo palavras constantemente
  • Não entender fantasias e histórias de “faz-de-conta”
  • Não entender piadas ou ironias
  • Chorar de forma ininterrupta
  • Apresentar reações extremas a sons altos e luzes fortes

Dentre os padrões de comportamento, é comum que a criança autista faça coisas como:

  • Caminhe na ponta dos pés
  • Desenvolva um apego exagerado por objetos específicos
  • Goste de enfileirar ou organizar objetos de acordo com categorias determinadas
  • Tenha um grande apego por rituais e muita dificuldade em sair da rotina
  • Movimente-se balançando o corpo para frente e para trás ou apresente tiques como bater os pés no chão, girar objetos ao redor do corpo ou estalar os dedos sem parar

Como os pais podem contribuir para o desenvolvimento de um filho autista?

No tapete da sala, mãe abraça seu filho autista que brinca com blocos de madeira
Mãe abraça seu filho enquanto ele brinca com blocos de madeira: o apoio dos pais é fundamental para que a criança com autismo se desenvolva adequadamente

A participação da família é muito importante para o desenvolvimento de uma criança com autismo, garantindo que ela seja tratada e estimulada de forma adequada e que não se sinta “excluída” da sociedade.

Além de buscar ajuda especializada tão logo os primeiros sinais sejam notados, após o diagnóstico é fundamental que a família busque se informar o máximo possível sobre o autismo.

O conhecimento pode ser adquirido através de livros, conversas com familiares de outros autistas e com profissionais de saúde especializados no transtorno.

O objetivo é ficar informado para ajudar a criança a lidar com suas próprias questões e também para enfrentar o preconceito, que ainda é muito frequente.

Lembrando que o autismo é um espectro e que, portanto, pode se manifestar de maneiras diferentes, é importante que a família busque conhecer melhor o próprio filho, entendendo os gatilhos que despertam comportamentos negativos, bem como as coisas que deixam a criança mais motivada.

Muitas crianças diagnosticadas com autismo apresentam grande apego a rotinas, então é importante seguir uma programação bem definida no dia a dia, com horários certos para cada atividade.

Nos casos em que a alguma mudança na rotina seja necessária, é interessante preparar a criança de forma antecipada. Isso quando a mudança puder ser prevista, é claro.

Embora as crianças autistas costumem ter problemas para socializar, os pais podem contribuir nesse sentido, levando seu filho para passeios, conversando sobre os assuntos de interesse e apresentando ele novas pessoas.

Possibilitar que a criança expresse os próprios sentimentos também é muito importante, além de garantir que ela seja ouvida por todos os familiares.

Para marcar uma consulta com o Dr Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.

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