Dr. Jorge Huberman

As crianças “picky eater”: o que devemos saber

Existem muitas crianças, apelidadas de “picky eater”, que possuem um comportamento bastante peculiar com a comida.

As crianças “picky eater” são aquelas que têm grande seletividade com relação aos alimentos que comem, ou seja, possuem uma dieta absolutamente reduzida e seletiva. Isso pode ser um grande problema, já que elas costumam rejeitar a inclusão de novos alimentos na diretriz, o que pode colocar em risco sua diversidade. Ao longo do tempo, este mal hábito pode resultar em um déficit de nutrientes que afetará o estado de saúde e o desenvolvimento da criança no futuro.

Em primeiro lugar, é essencial ter em mente que uma boa alimentação é aquela que é variada e equilibrada. É fundamental garantir a presença de vegetais e diferentes alimentos frescos. Estes produtos possuem boa densidade nutricional, oferecendo os elementos necessários para garantir o bom funcionamento do nosso organismo. É essencial que os pais saibam que ter bons hábitos alimentares desde os primeiros anos de vida é muito importante para seu filho.

O que são as “picky eater”?

“Picky eater” são as crianças que se recusam a introduzir novos alimentos na dieta. Elas não gostam de experimentar novos sabores de comida diferentes e podem apresentar alguns períodos de falta de apetite, além de distúrbios sensoriais. Normalmente, este é um problema temporário. Contudo, acaba limitando muito o padrão dos pequenos. E isso pode gerar algumas patologias a médio prazo.

Por outro lado, podemos observar que as crianças “picky eater” consomem menos alimentos do que a média. Isso pode acabar gerando um déficit energético que condiciona o desenvolvimento delas. É preciso mentalizar que as necessidades de proteína durante a infância aumentam. Ou seja: se as crianças não forem saciadas, seu crescimento pode ser colocado em risco.

Um problema que os pais sempre vão enfrentar é: ao oferecer novos alimentos para as crianças, independentemente de qualquer dificuldade, eles têm que ser insistentes. Para se ter uma ideia da complexidade do problema, as crianças precisam provar um alimento, em média, pelo menos 8 vezes para aceitá-lo de forma regular na dieta. Assim sendo, os pais não podem desanimar e têm que tentar sempre oferecer novos alimentos, preparados de modos diferentes (e criativos) para chamar a atenção delas.

Pratos criativos: uma das melhores soluções para as crianças "picky eater"
Pratos criativos: uma das melhores soluções para as crianças “picky eater”

O crescimento dos picky eater: fator de preocupação

Uma das grandes preocupações do médico pediatra em relação aos “picky eater” é que o crescimento da criança seja o ideal, o correto, pois elas comem em menor quantidade e também em menor variedade de alimentos do que os outros bebês. Desta forma, é essencial aos pais atenderem às necessidades calóricas mínimas. Caso isso ocorra, elas vão conseguir se desenvolver sem grandes alterações, normalmente.

Além disso, uma boa notícia para os pais é que esse transtorno alimentar normalmente melhora com o tempo. Estima-se que comece após os 12 meses de idade e não se estenda além dos dois anos de idade. Por isso, a paciência e, principalmente, a insistência serão essenciais ao tentar propor uma dieta o mais variada possível e suficiente em energia.

De toda forma, é possível encontrar diversas pesquisas que dizem que crianças “peaky eater” têm a tendência de pesar menos que os seus “contemporâneos”. Ainda assim, estão completamente dentro dos percentuais de normalidade. Deste modo, isso não gera preocupação excessiva entre os especialistas na área.

O segredo para resolver o problema é planejar uma dieta onde predominam os alimentos frescos, promovendo, assim, bons hábitos de vida, como, por exemplo, a atividade física para estimular o gasto energético.

Dicas aos pais sobre como lidar com uma criança “peaky eater”

É importante que os pais tenham em mente algumas dicas para oferecer a alimentação mais adequada possível para uma criança “peaky eater”.

Em primeiro lugar, é melhor não encher demais o prato dos pequenos: ofereça pequenas quantidades. Se perceber que a criança quer repetir, dê essa alternativa para o seu filho.

Além de evitar oferecer sucos e lanches, que podem suprimir o apetite, é necessário ofertar novos alimentos, várias vezes, para que a criança acabe experimentando e gostando.

Vale a pena também variar o modo de preparo das refeições, tendo como objetivo tornar os cardápios apetitosos.

Como já sabemos, os “peaky eater” normalmente têm dificuldade em atender às necessidades de energia e não curtem experimentar novos alimentos. 

Por isso, recomenda-se aos pais que tenham uma boa dose de paciência com os pequenos ao oferecerem uma dieta que seja a mais variada possível e que satisfaça as doses de nutrientes essenciais para as crianças.

O pediatra .Jorge Huberman em seu consultório em Moema: "a pessoa com seletividade alimentar costuma ter aversão sensorial a certos sabores, texturas ou cores"
O pediatra .Jorge Huberman em seu consultório em Moema: “a pessoa com seletividade alimentar costuma ter aversão sensorial a certos sabores, texturas ou cores”

“A seletividade alimentar é atualmente classificada como Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE). Mais do que apenas ser um comedor exigente, a pessoa com seletividade alimentar costuma ter aversão sensorial a certos sabores, texturas ou cores, chegando a desenvolver fobia de determinados alimentos”, afirma o pediatra Jorge Huberman.

“Temos que ajudar a criança a vencer isso:

Respeite o apetite da criança – ou a falta dele. …

Mantenha a rotina. …

Seja paciente com novos alimentos. …

Não seja um cozinheiro quebra-galho. …

Torne a refeição agradável. …

Peça ajuda ao seu filho. …

Dê o bom exemplo. …

Seja criativo”, diz o neonatologista.

Por último, caso tenha alguma dúvida, aconselha-se consultar seu pediatra para otimizar sua dieta e alcançar bons índices de desenvolvimento e crescimento. Caso contrário, o bom funcionamento do organismo pode ser comprometido a médio prazo.

Para marcar uma consulta com o Dr Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.

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