Dr. Jorge Huberman

  >  bebês   >  Amamentação cruzada: tudo o que você precisa saber!
Mulher aparece amamentando bebê

Amamentação cruzada: tudo o que você precisa saber!

Você já ouviu falar de amamentação cruzada? O termo consiste basicamente em mães que entregam o filho ainda bebê para outra mulher amamentar, porque não têm leite o suficiente ou simplesmente não podem amamentar, pelos mais diversos motivos. Este é o tema deste artigo; amamentação cruzada: tudo o que você precisa saber!

A escolha pode ser muito difícil, mas, na maioria das vezes, é feita por necessidade. Afinal, já é consenso entre os médicos a grande importância do leite materno para o desenvolvimento dos bebês e crianças, principalmente até os 6 meses de idade. 

Preocupadas com o bem-estar dos filhos, as mães que não produzem o leite, decidem buscar a amamentação cruzada para ter uma forma mais natural de alimentar o bebê. 

Para que a amamentação cruzada funcione, a mãe que, por algum motivo, não pode amamentar, busca outra mulher que deu à luz mais ou menos no mesmo período que ela.

Normalmente, ela está produzindo mais leite do que o necessário para o próprio bebê. 

Essa mãe, então, passa a amamentar não só o filho dela, mas também, o filho da mãe que a procurou.

A prática também acontece quando, por algum motivo, a mulher que está produzindo o leite materno não pode amamentar o próprio filho, como é o caso de bebês que nascem com intolerância à lactose ou a alguma proteína do leite, por exemplo. 

Em suma, a amamentação cruzada é a união de uma mulher que está produzindo uma porção de leite que não será utilizada pelo próprio filho e de outra que não está produzindo ou que não pode amamentar por alguma razão. 

A prática costuma ser muito comum quando duas mulheres da mesma família engravidam juntas. Tudo é feito em nome da solidariedade com o próximo. 

Conheça a história desse tipo de amamentação 

Pode ser que você nunca tenha ouvido falar especificamente do termo amamentação cruzada, mas certamente vai lembrar da posição dele na história.

Há muito tempo, quando o Brasil era dominado pelos engenhos e senhores de café, era comum que as esposas dos donos das fazendas recorressem a amas de leite para amamentar os filhos. 

Na época, esse serviço era feito por escravas que trabalhavam nos engenhos. Com o tempo, evoluímos e a prática ganhou outro significado, com a ideia de benefício mútuo, conforme segue.

A mulher que está produzindo uma quantidade de leite além do necessário encontra utilidade para ele. Assim como a mãe que não está produzindo, tem uma forma de alimentar o filho de maneira saudável. 

Mulher aparece com criança no colo em amamentação cruzada
Amamentação cruzada: veja o que você precisa saber sobre a prática (Foto: Freepik)

Em 1985, no entanto, o surgimento de uma nova doença fez com que a amamentação cruzada deixasse de ser recomendada.

Com o ‘boom’ do vírus da AIDs, a Organização Mundial da Saúde decidiu se pronunciar sobre a prática e explicar que não a recomenda.

Isso porque muitas doenças podem ser transmitidas da mãe para o bebê durante a amamentação, incluindo o HIV.

Atualmente, o Ministério da Saúde Brasileiro também não recomenda a prática, pelos mesmos motivos.

Justamente por isso, se você optar por seguir esse método, é de extrema importância conhecer a pessoa que irá amamentar seu bebê e pedir que ela realize alguns exames, para garantir que não contamine seu filho com alguma doença. 

Quando amamentar é contraindicado? Amamentação cruzada: tudo o que você precisa saber!

Não só as mães que não produzem leite buscam por métodos alternativos e/ou a amamentação cruzada para alimentar seus filhos. 

Como já dito anteriormente, as mulheres que por algum motivo não podem amamentar também costumam recorrer a esse método para garantir o sustento do bebê. Mas, afinal, em quais casos uma mulher que produz leite não pode amamentar?

A amamentação é contraindicada para mulheres infectadas com HIV (vírus da Aids) ou HTLV (vírus que afeta a imunidade das pessoas).

Nessa situação, mesmo que a mãe produza o leite, ela não pode dar ao filho. Isso porque essas doenças podem ser transmitidas pela amamentação. 

Os outros casos de contraindicação costumam ser mais pontuais.

Quando a mãe precisa tomar a vacina de Febre Amarela, por exemplo, é recomendado que fique sem amamentar por, pelo menos, 10 dias.

O mesmo ocorre com algumas medicações ou infecções que possam surgir.

Nesses casos em específico, é sempre importante consultar seu médico para ver se a amamentação continua sendo segura e, se precisar ser interrompida, qual é o tempo ideal para o retorno. 

A amamentação também pode ser banida por um tempo dependendo do hábito de consumo da mãe. Mulheres que tendem a consumir uma quantidade excessiva de álcool ou drogas ilícitas também não devem amamentar.

Amamentação cruzada enquanto alternativa

Mulher acaricia bebê enquanto o amamenta
A amamentação cruzada é uma opção para mães que, por algum motivo, não conseguem amamentar (Foto: Freepik)

A amamentação cruzada surge como uma possibilidade para as mulheres que passam por qualquer uma dessas complicações citadas acima.

Ela pode acontecer por apenas um curto período, como no caso de vacinações e doenças, com outra mulher substituindo a mãe nesse tempo em que ela não pode amamentar, mas também pode funcionar por meses, tudo depende da necessidade da mãe e do bebê. 

Se você se sentir insegura quanto à amamentação cruzada, fique tranquila: existem vários outros métodos seguros e saudáveis para alimentar uma criança que não tenha acesso ao leite materno. 

Caso você não produza leite o suficiente ou não possa amamentar, uma boa solução é buscar pelos bancos de leite humano, existentes em várias cidades espalhadas pelo Brasil. 

O leite desses bancos, apesar de ser de outras mulheres, passa por um rigoroso processo de higiene e controle e são realizados exames para garantir que a doadora de leite não possui nenhuma doença. 

Trata-se de uma forma mais regulamentada e vistoriada para que seu bebê tenha acesso ao leite materno de forma natural, porém a mais segura possível.

Nesses casos, a criança precisa se apoiar no uso de mamadeiras, já que as mulheres não estarão disponíveis nos bancos para dar o leite diretamente para o nenê.

Outra opção é buscar por leites sintéticos, adaptados para o bebê. Nesse caso, é sempre importante consultar o pediatra  para entender qual a marca e a quantidade adequada para o seu filho. 

Essa opção costuma ser muito procurada – e até mesmo necessária – no caso de crianças que nascem com alergia a alguma substância contida no leite, desde alergia à lactose até alergia a outras proteínas.

Segundo o Pediatra e Neonatologista, Jorge Huberman, deve-se frisar que o leite materno é muito importante para o bebê prematuro. “Se a própria mãe não conseguir, por alguma razão, fornecer leite suficiente no início, ele deve ser alimentado com leite doado por outras mães que amamentam, no lugar de fórmula láctea”, explicou.

Nesses casos, é de extrema importância consultar seu médico para que ele indique qual a fórmula ideal para garantir a saúde do seu filho. 

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701.