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A trilha sonora ideal do meu bebê!

Por Margareth Darezzo*

Qual é o momento mais adequado para oferecer música para uma criança? Como escolher a trilha sonora ideal do meu bebe!?

O maestro Henry Leck, fundador do Indianapolis Children’s Choir – EUA, disse em uma palestra online que “o aprendizado de música de uma criança deve começar quando a mãe da mãe dela nascer”, ou seja, desde sempre.

A música oferece possibilidades muito adequadas para uma graduação de estímulos eficiente e amorosa, com aspectos bastante favoráveis às percepções e habilidades da crianca pequena.

Passeios entre graves e agudos, ritmos e movimentos mais lentos ou mais rápidos, diversidades de timbres, experimentos de volume entre sons fortes e sons fracos, letras com rimas e repetições, são elementos de extrema riqueza lúdica e campo de um desenvolvimento de aprendizagem complexo e multimodal.

Não é de hoje que a afinidade dos bebês com a música atrai a atenção de suas famílias e da ciência.

Estudos e pesquisas em neurociências vêm acontecendo há mais de 20 anos, e investigam se a música vem da cultura ou da biologia, analisam tomografias de bebês que foram expostos à música na vida intra-uterina, observam reconhecimento de repertório oferecido na gestação, e correlações com o desenvolvimento da linguagem e outras habilidades.

A Universidade de Washington realizou um estudo recente para observar os efeitos da música no cérebro do bebê. Patricia Kuhl PhD MA, professora de Ciências da Fala e Audição e co-diretora do Instituto de Aprendizagem e Ciências do Cérebro da UW,  relata que após a exposicão de 12 sessões de valsa em ambiente social para bebês de 9 meses, foram feitos testes cerebrais e rastreamento do desenvolvimento da linguagem.

Música melhora vários padrões, como a fala

A trilha sonora ideal do meu bebê: músico é observado por diversos bebês durante apresentação.
A trilha sonora ideal do meu bebê: músico é observado por diversos bebês durante apresentação. Foto: Concertos para bebês/Divulgação

O que se revelou é que a exposição à música não melhora apenas o sistema auditivo de detecção de violação de ritmo, mas também o cortex pré-frontal com detecção de padrões e atenção dirigida, não só para a música, mas para outros padrões, como por exemplo, os padrões da fala.

Criar formas de exploracão musical e levar em conta a ciência para nortear uma prática de ensino promove a diferença entre educacão musical e entretenimento. Não falo de um em detrimento do outro, e sim, de condutas diferentes.

Levar a música para o bebê e considerar o seu contexto, marcos de desenvolvimento e vinculos afetivos, com objetivos definidos, canções que agregam valores, oportunidades de trocas afetivas, atividades de percepcão e possibilidades de expressão podem criar um ambiente favorável para um desenvolvimento saudável.

Sempre que os pais me procuram para dar aula para os seus filhos, recebo a informação: “meu bebê adora música!”

Segundo o neurologista e neuropediatra Dr. Mauro Muzkat, “bebês são ouvintes competentes desde muito cedo”.

Isso transforma o meu trabalho em uma série de encontros de exploração e conquistas dos bebês e seus acompanhantes, com cantoria e um terreno fértil para boas descobertas.

Nos últimos meses, pude perceber qual é o fator mais importante da música para o bebê: a excelente oportunidade de envolvimento dos pais ou cuidadores na vida em construção dos seus filhos através dessa arte.

Criar um repertório exclusivo de músicas fortalece o vínculo afetivo

Criar e explorar um repertório exclusivo de músicas, atividades e brincadeiras fortalece o vínculo afetivo, gera uma linguagem de acesso privilegiado e promove desdobramentos de temas para boas conversas, auto-conhecimento e percepção do outro. 

O efeito do envolvimento real dos pais nas atividades dos filhos é visível e se revela em um aprendizado criativo.

Cantar, dançar, ouvir e fazer música pode se constituir em um lindo ato de amor, aprendizado e uma das mais valiosas heranças que se pode deixar para uma criança. Vamos cantar?

*Margareth Darezzo – Arte educadora, Compositora e autora. Mestre em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos, Especialista em Psicologia Infantil, com Extensão Universitária em Neuropsicologia: emoção e cognição; Aperfeiçoamento em Neurociências, linguagem e aprendizado. Extensão em Neuropsicologia do desenvolvimento e suas interfaces. Especialização em Neuroeducação – Cefac. desde 2015. Compositora dos CDs Canteiro e Canteiro Florescer; Autora e compositora do livro Canteiro – músicas para brincar – Editora Ática, 2011, Selo Altamente Recomendável FNLIj e indicado ao Premio Jabuti 2012. Prêmio Funarte de Musica Brasileira 2012. Autora e compositora do livro “Quem vem lá? Musica e brincadeira para o bebê” – Editora Melhoramentos – 2015, Compositora do EP Canteiro Meu jardim, 2020.

A arte educadora, compositora e autora, Margareth Darezzo toca piano: “cantar, dançar, ouvir e fazer música pode se constituir em um lindo ato de amor, aprendizado e uma das mais valiosas heranças que se pode deixar para uma criança”