Dr. Jorge Huberman

A importância da primeira infância

É na primeira infância que a criança percebe o mundo ao seu redor e começa a se relacionar com ele. É uma das principais fases de aprendizagem, descoberta e desenvolvimento, que dão sentido a tudo que  é proposto no dia a dia. E os pais são essenciais para que tudo ocorra da forma correta.

Registrado no Marco Legal da Primeira Infância, esse período se inicia no nascimento e se estende até os 6 anos de idade da criança, cerca de 1.000 dias de desenvolvimento crucial para o crescimento e transformação do seu filho.

Isso porque é nesse período que a cognição e o raciocínio estão sendo  moldados. Evidências científicas mostram que o cérebro se desenvolve rapidamente nos primeiros anos de vida, cerca de mil células cerebrais se conectam por segundo, e é muito sensível aos estímulos ambientais.

Portanto, é de extrema importância garantir que seu filho tenha contato com determinadas experiências, situações e ambientes, que contribuam para a plena aprendizagem de habilidades e o desenvolvimento de aptidões e competências.

A capacitação para algumas atividades fundamentais, físicas ou cognitivas, permitirão o aprimoramento de habilidades mais complexas no futuro. Então é importante respeitar esse momento de aprendizagem e aprimoramento e explorá-lo ao máximo. 

Para o pediatra e neonatologista Jorge Huberman, além dos cuidados básicos (que envolvem a higiene, o sono e a alimentação), os vínculos, a autonomia e o brincar são, talvez, os aspectos mais relevantes dentro de um ambiente de desenvolvimento saudável na primeira infância.

O pediatra e neonatalogista, Dr.Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre quando o bebê sente frio
O pediatra e neonatalogista, Jorge Huberman, em seu consultório, no Instituto Saúde Plena fala sobre primeira infância (Foto: Kesher Conteúdo/Divulgação)

De acordo com uma pesquisa feita pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, 17.647.840 crianças estavam na primeira infância em 2020 no Brasil. Os pais podem contar com dicas de pediatras e psicólogos para ajudar os filhos a aproveitarem bem essa fase.

Primeira infância: de zero a três anos

É possível dividir a primeira infância em duas fases. A primeira delas, que compreende os primeiros 3 anos de vida, incluindo o período dentro no útero da mãe, são principalmente determinadas pelo desenvolvimento emocional e cognitivo.

Ao longo do desenvolvimento, as áreas do cérebro não amadurecem ao mesmo tempo. Ainda antes de vir ao mundo, o bebê aprende a desenvolver habilidades sensoriais como a audição. Dentro do útero, por volta da 25 semana de gestação, seu filho já podia ouvir sons externos e responder a estímulos.

É ao longo dos primeiros anos que o bebê desenvolve o olfato, a visão, o tato e o paladar. Cheiros, cores, texturas e sabores vão ensiná-lo sobre cada um desses sentidos e moldar o seu conhecimento sobre eles. Isso possibilita que a criança se perceba no mundo e também perceber o outro.

Na primeira infância e ao longo de toda vida, o seu filho precisa se sentir seguro, amado e respeitado
Na primeira infância e ao longo de toda vida, o seu filho precisa se sentir seguro, amado e respeitado (Foto: Freepik)

Estudos da neurociência apontam que o cérebro passa por uma intensa fase de amadurecimento entre a gestação e os 2 anos. O volume total do cérebro aumenta em 101% ao longo do primeiro ano de vida e mais 15% durante o segundo ano.

É preciso redobrar o cuidado, principalmente nessa fase, com os estímulos que a criança receberá, especialmente quando se trata de traumas e experiências negativas. Ainda que a criança não se lembre, tais experiências ficam em seu subconsciente podem trazer consequências ruins no futuro.

De quatro a seis anos

Nessa segunda fase, as crianças possuem maior autonomia, sendo capazes de se expressar e realizar atividades sozinhas. Habilidades cognitivas e os sentidos já estão mais aprimorados, e os objetos e acontecimentos ao redor começam a fazer mais sentido. 

Seu filho consegue agora ter práticas mais complexas do que anteriormente, como inventar brincadeiras e conseguir realizá-las. Esse também é um bom momento para começar uma rotina, por exemplo, pois a criança já consegue discernir sobre a duração do tempo e o que precisa ser feito em cada dia.

O importante é que o seu filho passe por essa fase sabendo que está em um ambiente seguro, saudável, cheio de amor e compreensão. Além disso, é importante incentivar a praticar atividades que estimulem o intelecto e a aprendizagem.

Assim, as crianças terão maior facilidade em se adaptarem a diferentes ambientes e adquirirem novos conhecimentos. No futuro, essas características contribuem positivamente para o desempenho escolar, realização pessoal e vocacional também.

Papel dos pais no pleno desenvolvimento da primeira infância

Pesquisa feita pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal em 2020 no Brasil, apontou que 17.6 milhões de crianças estavam na primeira infância. É papel dos pais garantir aos filhos boas condições para o pleno desenvolvimento dessa fase.

A qualidade dos vínculos que a criança estabelece com familiares, cuidadores, educadores, pessoas ao seu redor e ambientes os quais ela convive, será a base para a construção de comportamentos e conhecimentos de mundo carregados por ela ao longo da vida.

Por isso, vale frisar a importância de crescer em um ambiente em que a criança se sinta segura, protegida, amada e respeitada. Demonstrações de afeto e incentivo são fundamentais para o aprendizado, bom desempenho de atividades e aprimoramento de habilidades, além de promoverem boa autoestima, o que a fará tornar-se um adulto mais consciente e inteligente emocionalmente.

Na escola a criança aprimora seus conhecimentos e desenvolve ainda mais habilidades
Na escola a criança aprimora seus conhecimentos e desenvolve ainda mais habilidades (Foto: Freepik)

Em contrapartida, experiências negativas durante a primeira infância, como abandono, fome, violência e maus tratos, tem muito a ver com predisposições a traumas, transtornos psicológicos e outros problemas mentais no futuro.

Áreas como assistência social, cultura e educação devem estar presentes e muito bem entrelaçadas nessa fase. O apoio dos pais e responsáveis é imprescindível, mas a escola também tem um papel importante durante a primeira infância e faz muita diferença no desenvolvimento das crianças.

A escola deve ser qualificada para compreender todas as necessidades de uma criança na primeira infância e não limitá-la. É lá que, além de serem introduzidos aos conhecimentos básicos e treinarem o raciocínio lógico, também aprendem a se relacionar com outras crianças, o que ensina sobre o convívio em sociedade.

Sendo assim, quanto mais estímulos positivos a criança receber, mais resultados positivos ela irá colecionar ao longo da vida. Nessa fase, atividades adequadas impactam no desenvolvimento cognitivo, linguístico e socioemocional.

Pode parecer difícil, mas você tem tudo o que precisa para garantir boas experiências para o seu filho durante a primeira infância! Dúvidas podem surgir, mas nunca se esqueça que você pode contar com a ajuda do pediatra, seu principal aliado quando o assunto é desenvolvimento saudável da criança.

Para marcar uma consulta com o pediatra e neonatologista Dr. Jorge Huberman, ligue para (11) 2384-9701

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