Dr. Jorge Huberman

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Menino tem seu joelho examinado por médico: as queixas de dores em membros são bastante comuns em crianças

A dor do crescimento nas crianças

O que é a dor do crescimento nas crianças? Como consigo saber se meu filho tem essa dor? Quais são os principais sintomas da dor do crescimento? Qual frequência e horários mais comuns desta dor? Que alterações podem aparecer nos exames de laboratório? Exames de imagem são necessários?

Estas e muitas outras perguntas, os pais trazem com frequência ao nosso consultório.

Em primeiro lugar: as queixas de dores em membros são bastante comuns em crianças e, na maioria dos casos, são benignas.

As mais constantes são as dores noturnas, recorrentes em membros, benignas, e que receberam o nome de “dor de crescimento” há muito tempo, no início do século 19.

Na realidade, não há relação com nenhuma fase do crescimento físico, mas este termo foi consagrado e ainda é usado atualmente, servindo para diferenciá-la de uma série de outras condições que causam dor e algum sofrimento em milhões de crianças.

Trata-se de uma condição benigna, de evolução crônica, atingindo entre 10% a 20% das crianças.

De modo obrigatório, deve ser diferenciada de outras causas de dor que estão presentes em doenças mais sérias. 

Por ser a causa mais comum de dores nos membros, normalmente os familiares pensam no diagnóstico de dor de crescimento.

Contudo, este é um diagnóstico somente de exclusão, sendo preciso diferenciá-lo de outras causas de dor não benignas. 

O diagnóstico de dor de crescimento tem como base critérios clínicos.

O começo das crises normalmente se inicia entre os 3 e os 6 anos de idade, tanto nas meninas, como também nos meninos.

A história detalhada, obtida com a cooperação da família e da criança, é tipicamente bilateral em 80% dos casos, localizada em determinados locais, como na parte anterior das coxas, canelas, panturrilhas e atrás dos joelhos, sendo bastante raro o envolvimento dos membros superiores. 

Dores são mais frequentes à noite ou de madrugada

Criança chora de dor no chão: o diagnóstico de dor de crescimento tem como base critérios clínicos
Criança chora de dor no chão: o diagnóstico da dor de crescimento tem como base critérios clínicos

As dores costumam surgir à noite ou mesmo de madrugada. Algumas vezes, são tão intensas que levam a criança ao choro.

Porém, normalmente, na manhã seguinte, a criança aparece sem qualquer sintoma e não tem nenhuma limitação física.

É bastante rara a ocorrência diária e o intervalo entre as crises pode sofrer variação de tempo: alguns dias, semanas ou até mesmo, meses. 

Há ocorrências em que os pais percebem uma relação entre o aumento de atividade física e a dor, mas isso não é frequente.

Na história familiar, pode-se detectar história de dor de crescimento entre 20% a 47% dos parentes de primeiro grau. Mesmo sendo comum, outras causas precisam ser investigadas.

O exame físico da criança com dor de crescimento é comum. Ela anda normalmente, a coluna e as extremidades não têm deformidades, muito menos restrição de movimentos. Não há fraqueza muscular, nem alteração dos reflexos.

A presença de articulações inchadas, massas palpáveis, dor ao movimentar os membros ou à palpação indicam que é preciso realizar exames laboratoriais e de imagem, em busca de outros diagnósticos.

Na dor de crescimento, os exames de laboratório são normais.

Mudanças no hemograma e aumento de valores nos marcadores de inflamação, tais como a velocidade de hemossedimentação e a Proteína C Reativa (PCR), são úteis para se detectar inflamação e/ou infecção, afastando o diagnóstico de dor de crescimento.

Exames de imagem são bastante comuns nos casos de dor de crescimento. Radiografias são muito úteis para se investigar neoplasias, infecções e causas traumáticas.

Eventualmente, uma ressonância magnética irá mostrar uma lesão não detectada na radiografia simples, como a doença de Legg-Perthes-Calvé, fase inicial da osteomielite e também neoplasias.

Cintilografia óssea pode ser recomendada em ocorrências de doença óssea difusa, como a osteomielite crônica multifocal ou, então, metástases de câncer.

Massagens aliviam as dores

Dor do crescimento: criança sorri ao receber massagem
Dor do crescimento: criança sorri ao receber massagem

O nível de ansiedade de todos, crianças e, principalmente, adultos, será diminuído quando a família entender e aceitar que as dores são benignas e irão, normalmente, sumir até o final da infância.

Importante salientar: durante as crises, quase 100% das crianças sentem alívio com massagens. Já outras, de outro modo, com crises mais duradouras, necessitam de analgésicos comuns ou antiinflamatórios, tais como o ibuprofeno, por exemplo.

Dores em membros podem ter diversos motivos: autoimune/inflamatórias; infecciosas; hematológicas; vasculares; neoplásicas, traumáticas, estruturais, entre outras.

O pediatra  irá investigar a possibilidade de cada uma delas.

Crianças nos primeiros episódios de dor – ou com história não característica de dor de crescimento, ou com alguma alteração no exame físico – deverão ser examinadas a fundo a respeito da presença de sinais e sintomas compatíveis com outras causas de dor, exames de laboratório ou até mesmo de imagem.  

É possível se classificar algumas das situações de acordo com as suas características, como as que seguem. 

Dor unilateral ou dor que persiste na manhã do dia seguinte devem levar a exclusão de algumas destas doenças, como osteomielite, leucemia, tumores ósseos e artrite; 

Dores que aparecem ao longo do dia e/ou se agravam com a atividade física devem fazer com que sejam pesquisadas pelo médico as dores de origem mecânica; 

As dores no período noturno podem acontecer nestes casos: síndrome de hipermobilidade articular, leucemia e também osteoma osteóide; 

Dores articulares que já se apresentam logo cedo, ao despertar, com ou sem inchaço articular, mas evoluindo com restrição de movimentação da criança podem ser prenúncios de alguma doença autoimune, como a artrite idiopática juvenil.

Artrite idiopática juvenil precisa de atenção especial

Menina observa a sua perna: artrite idiopática juvenil precisa de atenção especial do médico
Menina observa a sua perna: artrite idiopática juvenil precisa de atenção especial do médico

Esta artite precisa de uma atenção especial, já que é uma doença crônica e progressiva, definida como presença de artrite em uma ou mais articulações em período igual ou maior do que seis semanas em crianças menores de 16 anos.

A artrite pode se apresentar de modo pouco alarmante ou sintomático, muitas vezes com exames laboratoriais normais ou inespecíficos.

Apesar de ser a causa mais frequente de artrite em crianças, ela não é comum e, por este motivo, pode não ser percebida nos primeiros exames. 

A falta de um diagnóstico precoce poder levar a um tratamento tardio e terá maiores chances de evoluir com sequelas e com, infelizmente, alguma perda da qualidade de vida.

Um grupo de reumatologistas pediatras elaborou um questionário com 12 perguntas, que servem como sinais de alerta para esta doença. 

O mesmo está disponível no site da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Este questionário pode e deve ser respondido pelos pais. Se cinco respostas forem positivas, será necessário encaminhamento imediato para um reumatologista pediatra.

“Nunca devemos esquecer que examinar a dor em Pediatria, envolve a avaliação de vários fatores, pois os pacientes apresentam dificuldade em definir o local e a intensidade da dor”, explica o Dr Jorge Huberman,  

“Devem ser considerados a agitação, avaliação da expressão facial em Neonatologia, alterações de frequência cardíaca, respiratória e fisiológica”, finaliza o especialista.

O pediatra Jorge Huberman ao lado do paciente Matheus, de 9 anos: na avaliação da criança, para descobrir a causa da sua dor, devem ser levados em conta vários sinais: avaliação da expressão facial,  alterações de frequência cardíaca, respiratória e fisiológica
O pediatra Jorge Huberman ao lado do paciente Matheus, de 9 anos: na avaliação da criança, para descobrir a causa da sua dor, devem ser levados em conta vários sinais: avaliação da expressão facial, alterações de frequência cardíaca, respiratória e fisiológica

Para marcar uma consulta com o Dr.Jorge Huberman ligue para (11) 2384-9701.